O acompanhamento nutricional durante a gestação é extremamente importante. A gestação é um período de grande vulnerabilidade para mãe, em razão das várias transformações em seu corpo, e para o feto, em razão do seu crescimento de desenvolvimento. Monitorar o estado nutricional da gestante, ainda mais com as intercorrências, cada dia mais comuns deste período, é fundamental.
Restringir energia nesta fase pode ocasionar conseqüências negativas ao crescimento fetal. Estudos mostram que a deficiência nutricional da gestante pode acarretar:
4nas Gestantes: anemias, hemorragias, ganho de peso inadequado, parto prematuro, rotura prematura de membranas e toxemia gravídica:ainda discutível.
4nos Recém Nascidos: redução de peso e estatura ao nascer, tendência a anemia e infecções, alterações no desenvolvimento motor, alterações visuais e, posteriormente, menor rendimento escolar.
Já o acumulo de energia, ou seja o aumento de peso excessivo durante a gestação, tem sido associada ao aumento das taxas de complicações durante o trabalho de parto, maior ocorrência de cesariana, macrossomia fetal, desenvolvimento de hipertensão, diabetes mellitus gestacional e malformação congênita fetal.
O acompanhamento nutricional neste período tem como objetivos:
- estabelecer e acompanhar o estado nutricional;
- identificar fatores de risco;
- planejar a educação nutricional da mãe;
- possibilitar interferências terapêuticas e profiláticas no sentido de corrigir distorções;
- incentivar o aleitamento materno.
É recomendado um ganho de 9 a 12 kg durante a gestação e, para mulheres com sobrepeso (IMC entre 26 e 29), o ganho deve ficar entre 7 a 11 kg, no caso de mulheres obesas, o total recomendado é de 6 Kg.
No entanto, é difícil estabelecer precisamente as necessidades de energia, devido a diversos fatores que estão influenciando o período gestacional, como o peso pré-gravídico, a quantidade e composição do ganho de peso, o estágio da gravidez , o nível de atividade física e aumento do metabolismo basal. A RDA (Recommended Dietary Allowences,1989), recomenda a adição supracitada – 300 calorias por dia – , com início do segundo trimestre da gestação, exceto das condições a seguir:
- mulheres que iniciam a gravidez com baixo peso ou adolescentes (com menos de cinco anos pós-menarca), acrescenta-se as 300 calorias desde o início da gravidez;
- mulheres que iniciam a gravidez com sobrepeso ou obesidade, nenhum aumento calórico é recomendado.Em relação às proteínas, a Recommende Dietary Allowances (RDA), recomenda um total de 60 gramas/dia. Os outros macronutrientes não sofrem alteração, até o momento. Os carboidratos compreendem de 50 a 60% da alimentação, dada a preferência aos complexos como pães e cereais integrais por conta das fibras que auxiliam no processo de digestão e absorção. As vitaminas que se acrescentam, são: B6,B12, C, D, E, K, ácido fólico e ácido nicotínico, nas quantidade estabelecidas pelas Dietary Reference Intake (DRIs). E mesmo com a economia de ferro, conseqüente amenorréria gestacional, ainda é necessário suplementar o ferro na dieta gestacional, como também acrescentar sódio, cálcio, iodo, zinco, fósforo, flúor e magnésio.
Guia alimentar diário para gestantes
| Alimentos | Porções | Exemplos |
| Leite e Derivados | 3 | -1 copo de leite ou iogurte; -50 g de queijo natural; - 60g de queijo processado. |
| Carnes | 3 | - 90g de carne cozida (frango, peixe, vaca); - 1 ovo; - ½ xícaras de grãos; -1 xícara de tofú. |
|
Cereais |
10 |
- 1 fatia de pão de forma, pão francês, de hambúrguer; - ½ xícara de cereal; - 3 colheres de aveia; - 3 biscoitos; - 2 torradas médias. |
|
Legumes |
4 |
- 1 xícara de vegetal crú; - ½ xícara de vegetal cozido.
|
|
Frutas |
4 |
- 1 pedaço médio de fruta crua; - ½ xícara de fruta cozida. |
Dicas de alimentação na gravidez:
• Beber líquidos constantemente, de 1,5 a 2 litros por dia. Isto ajuda a combater os inchaços muito comuns na gravidez;
• Consumir pelo menos três frutas por dia, além de legumes e verduras no almoço e jantar. Esses alimentos são ricos em fibras, que previnem a prisão de ventre, muito comum na gestação.
• Fracionar as refeições em cinco ou seis vezes ao dia, com pequenas quantidades, e mastigar devagar.
• Consumir alimentos com baixo teor de gordura e evite ingerir líquidos durante as refeições, para facilitar a digestão e evitar azia.
• Evitar o consumo de adoçantes durante a gravidez, exceto quando prescrito por nutricionista ou médico.
As taxas de metabolismo são aproximadamente 20% maiores em obesas gestantes do que em obesas não gestantes. Assim mesmo, não se deve fazer restrição alimentar durante a gravidez, pois a perda ou ausência de ganho de peso poderá resultar em catabolismo, que dependendo da intensidade, pode ocasionar cetoacidose, o que compromete o desenvolvimento neurológico fetal. Portanto, para que ocorra o crescimento e desenvolvimento fetal adequado, é necessária a oferta adequada de nutrientes pelo organismo materno.
ERIKA ALVARENGA
CRN 12993
** Leia também: Pilates na Gravidez
ERIKA ALVARENGA
Nutrição Clínica e Esportiva
Especialista em fisiologia do exercício – USP
CRN 12993
9224-3247
Arquivado em: Gestante, Nutrição | Etiquetado: anemia, bebê, desenvolvimento, desnutrição, dieta, fetal, gestação, gravidez, Nutrição, nutricional, obesidade, parto prematuro, recém nascido