Desenvolvimento Infantil – Insuficiência de Coordenação

Segundo KIPHARD (1976) a insuficiência de coordenação à idade são: ” defeitos qualitativos da condução do movimento atribuídos a uma interação imperfeita da estrutura funcional senso-neuro-muscular.” Se trata de ações e reações musculares inadaptadas, antifuncionais e antieconômicas, causadas por um domínio dinâmico, temporal e espacial inadequado dos impulsos, levando a movimentos muito fraco ou muito fortes; muito lento ou muito rápidos; e muito econômico ou muito exagerados. São movimentos freiados, dirigidos e pouco ou demasiadamente controlados (criança tensa ou nervosa).

Por ser na idade pré-escolar a fase em que a criança desenvolve e aprimora suas habilidades físicas e motoras, é de suma importância que seja realizado nesta fase um trabalho amplo pelos pais e educandos, de forma a criar uma estrutura senso-neuro-muscular que irá facilitar a formação do ESQUEMA CORPORAL da criança. Caso a criança não receba os estímulos necessários, certamente ela apresentará as características de uma insuficiência de coordenação após os seis anos.

LAPIERRE (1989) estudou as dificuldades da criança, devido a uma estrutura corporal ainda imprecisa; desconhecimento das possibilidades do corpo; e por mal se comunicarem com as outras. Deve-se, ter como objetivo no empreendimento educativo: a indução do movimento; o gosto pela atividade corporal; o prazer extraído dos jogos com objetos, e finalmente, o contato com outras crianças. Através dos objetos como: corda, bolas, banco, etc. o professor observa o que as crianças inventam; encorajando; sugerindo e despertando o interesse pelo jogo.

A criança deverá participar diariamente de atividades estimulantes, pois a fixação dos hábitos e dos resultados dependem da regularidade, completa e equilibrada quanto a variedade de exercícios. A ginástica constitui a continuação para a aquisição motriz no desenvolvimento neuromuscular, da sua inteligência e da sua sociabilidade. Ela deve ser adequada à criança, isto é, animada, vivencial, lúdica, criativa e descontraídas, dentro do seu mundo e linguagem de fantasias, realizada com a intenção de surtir um efeito educativo através de movimentos naturais.

PANTIGA (1992) cita como sendo os principais objetivos pare esta fase: a coordenação motora dinâmica geral (exercícios globais e de postura); equilíbrio (estático, dinâmico e recuperado); coordenação viso-motora; organização do esquema corporal; lateralidade; orientação espacial (direção, localização, proporção, níveis); organização temporal; exercícios de agilidade (base para a segurança no movimento); resistência; concentração; reação e velocidade.

Dentro disto a utilização de materiais é de grande importância, onde cada um deve ter o seu próprio espaço, podendo explorar e melhorar seu progresso individualmente. O local deve ser previamente inspecionado e organizado para evitar acidentes e proporcionar alegria e prazer. Os materiais devem oferecer estímulos sensório-motores, com diferentes tipos de tecelagem, desenhos geométricos, equipamentos de som, cores para pinturas e outros estímulos motivadores de propostas de ação. Pantiga diz ainda que, é importante que em um primeiro momento a criança descubra o material ou equipamento, depois ela age intencionalmente utilizando o aparelho, analisando o que pode ser feito, aperfeiçoa progressivamente seus movimentos e por último encadeia vários exercícios simples dominados neste aparelho. Estas situações simples frente a problemas de como enfrentar o aparelho e vencer os obstáculos propostos, são indispensáveis às tomadas de decisões da criança. Como as aquisições são sempre fruto de experiências vividas, é necessário colocar a criança em situações que será capaz de dominar, a fim de obter uma resposta de acordo com suas possibilidades. Deve-se ter como objetivos da situação: o descobrir, tanto o próprio corpo como o espaço físico; analisar, perceber a atividade; aperfeiçoar  a qualidade do movimento; enriquecer, modificar com mairo grau de dificuldade; combinar, associar, ligar; e organizar um conjunto de elementos.

Na visão de Kaminski e outros (apud DIECKERT; 1981) isto tudo faz parte da “TEORIA DE AÇÃO”  onde a criança no ato da ação passa por três fases: antecipação, realização e interpretação, ela vivencia e com o feedback organiza e analisa a situação antecipando e realizando o movimento cada vez mais de forma eficiente.

É fundamental que a criança desenvolva suas capacidades e habilidades físicas dentro de um ambiente DIVERTIDO e DESCONTRAÍDO, se a criança pode melhorar a sua inteligência, força e agilidade brincando, onde elas se divertem e saem exaustas sem perceber; por que transformar a aula em algo maçante, numa obrigação diária e sem muita liberdade de expressão?

Este texto continua em Desenvolvimento Infantil – Neurológico 

By Tatiana Matsuo

Fonte: Monografia de graduação (Desenvolvimento cognitivo através da Ginástica Educativa – FMU – 1997 por Tatiana Hiromi Matsuo)

Bibliografia

DIECKERT, J. e KOCH, K. Ginástica Olímpica: exercícios progressivos e metódicos. Rio de Janeiro, ao livro técnico S.A., 1981.

KIPHARD, E. J. Insuficiências de movimento y de coordinción en la edad de la escuela primaria. Buenos Aires, Kapelusz, 1976.

LAPIERRE, A. A educação psicomotora na escola maternal: uma experiência com os “pequeninos”. Manole, São Paulo, 1989.

PANTIGA, Jr. G. A Ginástica Olímpica na Fase Pré-Escolar (0 a 6 anos). SP Especialização, 1992.

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