Desenvolvimento Infantil – Neurológico

Numa análise neurológica do desenvolvimento cognitivo, segundo o cientista Dr. CHUGANI (1997), toda criança ao nascer possui 100 bilhões de células nervosas (praticamente a mesma quantidade que quando adultos), as quais irão na fase da infância criar trilhões de conexões com um novo e crescente emaranhado de células  nervosas por todo o corpo, formando assim as sinapses que controlam todo o movimento, sentimentos, inteligência e sensibilidade.  Quando a criança nasce os neurônios  apresentam pequeno número de conexões pelo corpo, são as responsáveis pelo batimento cardíaco, movimentos reflexos, respiração, etc. Estas conexões apresentam seu auge de formação aproximadamente até 10 anos, onde  serão selecionadas quais conexões nervosas permanecerão em nosso sistema nervoso e quais serão eliminadas.

Este processo de eliminação se dá devido a utilização nervosa e estimulação dada à criança. Por isso, devemos o quanto antes desenvolver na criança o gosto pela música; estimulá-la com histórias o mais cedo possível; promover problemas ou situações a serem resolvidas; desenvolver a percepção das cores; e estimular a criança através do seu controle e expressão corporal.

Segundo KIESTER (1997), os pais devem olhar nos olhos de seus filhos desde o primeiro momento, pois as ligações cerebrais de reconhecimentoforçado são ativadas, ajudando a criança a diferenciar o que é familiar e o que não é, o que é diferente e o que é igual (capacidades essenciais da aprendizagem). “Fale muito” com a criança para um domínio precoce da linguagem, pois segundo Huttenlocher (apud KIESTER, 1997) ” a linguagem é importante para um bom funcionamento intelectual”. Segundo Shaw (apud KIESTER, 1997), a música tem um papel importantíssimo na noção espaço-temporal, sendo importante para entender a Matemática e as Ciências. Com o auxilio de um programa informático, ele previu que a Matemática e a Música poderiam partilhar do desencadeamento de ligações neurológicas comuns, previsão esta confirmada pela observação continuada do processo. Kiester diz que, as crianças constróem o intelecto e aprendem a conhecer o mundo por meio de novas experiências e pela exploração, e elas fazem isso por própria curiosidade; portanto devemos estimulá-las incentivando-as a observar a objetos e brinquedos explorando-os juntamente com elas. Devemos desde cedo dar nomes às cores e aos objetos, pois a criança ao primeiro ano de vida já é capaz de diferenciar as cores, tamanhos e formas.

Ficou comprovado que determinados órgãos do corpo humano concluem suas conexões antes dos 5 anos, e estas conexões só acontecem devido a estímulos externos. Por exemplo, a visão se desenvolve até a idade dos 2 anos. Crianças que nascem com catarata, mesmo após cirurgia de remoção da membrana, se realizada após os dois anos, os bebês ficam cegas para o resto da vida, por não terem sido estimuladas pela luz na fase em que a visão estava sendo formada. Dentro disto, todas as conexões deverão ser estimuladas ao máximo antes da puberdade, sendo o período de maior  importância aquele antes dos 6 anos.

Segundo a ECFE (Early Childhood Family Education), as portas para o aprendizado para a Matemática e Lógica estão abertas desde o nascimento até 4 anos de idade. Já para aprendermos outra língua é do nascimento até os 10 anos, assim como as nossas respostas emocionais vêm dos primeiros anos. É certo que conforme a reação emocional dos pais em relação ao entusiasmo da criança frente às novidades ou a indiferença serão decisivos para o reinforço nos sentimentos da criança. “Aplauda de pé”, pois elogiar os feitos das crianças não só lhes provoca  ondas de prazer como reforça as ligações entre o córtex frontal e a amigdala do mesencéfalo, a base das emoções diz KIESTER (1997). Quando se aplaudem os primeiros passos do bebê, o fato dele ficar feliz desencadeia uma corrente de substâncias neuroquímicas no cérebro que fortalecem seus circuitos. Inversamente, se os avanços da criança é sempre recebido com indiferença, estes circuitos não se tonificam, tornando a criança relutante a experimentar novas atividades. Segundo CHUGANI (1997), as experiências precoces são tão poderosas que “elas podem mudar completamente a maneira com que elas se tornarão.”

Tudo isso não quer dizer que quando chegamos na fase adulta não desenvolvemos mais nossos potenciais de inteligência, coordenação motora ou a nossa percepção dos sentidos. Pelo contrário, estamos continuamente aumentando nossas conexões neurológicas; porém, elas são como portas que vão se fechando segundo BERTOLUCCI (1996), e este processo com o passar dos anos passa a ser mais vagaroso e dificultado. Mesmo pessoas que sofrem acidentes perdendo controle neurológico, após certo tempo, elas recuperam parcialmente e em alguns casos totalmente o que havia perdido com novas conexões.

Visto que o trabalho neurológico se dá através da quebra da glicose segundo CHUGANI,  fica mais do que claro a necessidade de uma boa alimentação da criança desde o nascimento. Constatou-se através da Tomografia por Emissão de Prótons (PET) que, na primeira infância o consumo de glicose pelo cérebro é mais do que o dobro do que quando na fase adulta. Criança desnutrida não apresentará o desenvolvimento dos neurônios, dificultando assim o desenvolvimento de suas inteligências, as quais segundo GARDNER (1996) são compostas de 7 tipos: inteligência musical; cinestésica; lógica-matemática; lingüística; espacial; interpessoal e intrapessoal; acrescida da inteligência emocional por Goleman.

GARDNER (1996) define a inteligência como ” a capacidade de resolver problemas ou estabelecer modos ou produtos valorizados em um ou mais contextos culturais”. E para ele, as inteligências raramente operam independentemente; elas se complementam quando o indivíduo desenvolve novas habilidades ou resolve problemas. Por exemplo: um dançarino ao dsenvolver sua arte possui: 1) uma forte inteligência musical para compreender o ritmo e variações da música; 2) uma inteligência interpessoal para entender como ele poderá inspirar ou comover emocionalmente a platéia através de seus movimentos, assim como 3) a inteligência cinestésica, a qual promove a sua agilidade e coordenação para completar seus movimentos com sucesso.

Segundo VAYER (1984) a formação dos aspectos cognitivos estão diretamente ligados às trocas entre o ser e o mundo que o rodeia. As funções cognitivas são portanto um certo aspecto das comunicações ser-mundo e podem ser definidas como o conjunto dos processos que propiciam ao ser no mundo a aquisição  das informações sobre o meio-ambiente, organizando-as em sistemas que lhe permitem regular seu comportamento. Estas comunicações estão vinculadas à organização neuropsicológica e são classificadas pela psicologia em organização perceptiva, formação de conceitos, desenvolvimento da linguagem verbal; na verdade ela são solidárias umas com as outras. É o ciclo sensório-perceptivo-motor que se desenvolove, se enriquece e se estrutura a partir da ação, sendo a ação a condição de toda experiência vivida, e por isso mesmo de todo conhecimento.

Segundo BENTO (1991), o corpo é a bse material da nossa existência, a qual expressa qualidade de equilíbrio  com o mundo; revelando o nosso estado de saúde. Ele é o suporte da identidade pessoal onde todas as estruturas e funções devem funcionar bem e em harmonia. O rendimento corporal deve ser requerido como parte do programa de educação escolar, como uma preparação para a vida adulta.  É através do corpo que o indivíduo se relaciona com o envolvimento intelectual, mental, psíquico, emocional, afetivo, social, etc.; podendo esta formação corporal determinar o sucesso ou insucesso na vida; bem como, a formação de sua personalidade.

A Educação Física que deveria ser melhor trabalhada como uma forma de expressão, liberdade, auto-conhecimento e socialização, incentivando a capacidade de criar e de superar barreiras ao invés de apenas exaltar os mais fortes, mais espertos e com maiores aptidões físicas.

Leia também Desenvolvimento Infantil – Psicomotricidade 

By Tatiana Matsuo

Fonte: Monografia de graduação (Desenvolvimento cognitivo através da Ginástica Educativa – FMU – 1997 por Tatiana Hiromi Matsuo)

Bibliografia:

BENTO, J. A Educação para a Saúde e a fruição da vida: uma orientação para a Educação Física. In: As funções da Educação Física. Revista Horizonte n. 45, p 09-10, Set-Out, 1991.

BERTOLUCCI, Paulo Henrique Ferreira. A construção do cérebro. São Paulo, Abril, Revista Veja, 20.03.1996.

CHUGANI, Harry Brain Surges http://www.med.wayne.edu/wayne%20medicine/wm97/brain.htm Wayne University, USA, 1997.

GARDNER, Howard. Intelligence in seven steps. http://www.newhorizons.org/future/Creating_the_Future/crfut_gardner.html

KIESTER, Jr., Edwin E. KIESTER, Sally Valente. Como aumentar o QI de seu filho. Rio de Janeiro, Seleções Reader’s Digest, p. 09-13, Fev, 1997.

VAYER, P. O diálogo corporal: a ação educativa para a criança de dois a cinco anos. Manole, São Paulo, 1984.

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