Desenvolvimento Infantil – Psicomotricidade

 A Sociedade Brasileira de Psicomotricidade a conceitua como sendo uma ciência que estuda o homem através do seu movimento nas diversas relações, tendo como objeto de estudo o corpo e a sua expressão dinâmica. A Psicomotricidade se dá a partir da articulação movimento/ corpo/ relação. Diante do somatório de forças que atuam no corpo – choros, medos, alegrias, tristezas… – a criança estrutura suas marcas, buscando qualificar seus afetos e elaborar as suas idéias. Vai constituindo-se como pessoa. 

Sabe-se que a fase compreendida entre o nascimento e os seis anos mostra-se de grande importância para a formação da personalidade da criança. Todas as experiências serão decisivas e se suas necessidades não forem supridas, poderão ocasionar seqüelas no equilíbrio, coordenação e organização de idéias. Segundo PANTIGA (1992) esta é a principal fase da vida de uma pessoa; o que acontece nesse período fica guardado para sempre. Se vivenciar, nesta fase, boas experiências, boa alimentação, carinho e estimulação, com certeza a criança será mais ajustada quando adulta. FERREIRA (1995) diz que é durante os primeiros seis anos que os padrões motores fundamentais emergem na criança e se aperfeiçoam de acordo com o desenvolvimento, ao nível dos movimentos de estabilidade, locomoção e manipulação de objetos. O desenvolvimento motor pode ser assim encarado como um processo extenso, mais ou menos contínuo, desde o nascimento até a idade adulta, evoluindo dos movimentos simples para os mais complexos, na direção céfalo-caudal e próximo-distal.

Gallahue (apud RODRIGUES, 1993), define o desenvolvimento motor  como o conhecimento das capacidades físicas da criança e sua aplicação na performance de várias habilidades motoras, de acordo com a idade, sexo e classe social. Para que possa se desenvolver um trabalho que traga relativas mudanças nas crianças em nível psicomotor, há a necessidade de um profundo conhecimento de todo o desenvolvimento natural de cada fase de crescimento do ser humano, para não sermos muito taxativos e, sem critérios, classificarmos uma criança como descoordenada, sendo que, esta falta de controle pode ser característica desta específica idade ou fase maturacional. Só a partir de um aprofundamento neuromuscular, fisiológico, psicológico e maturacional é que será possível uma comparação entre o desenvolvimento de uma criança sadia e coordenada e uma outra criança com dificuldades motoras para a sua idade. É importante salientar que esta dificuldade é relativa a sua faixa etária no sentido maturacional (idade biológica) e não a uma deficiência física ou mental. São insuficiências de movimento devido a falta de estímulos quando a criança se apresentou madura e pronta para os vivenciar; são crianças normais sem nenhuma patologia, porém, que tiveram uma infância trancada dentro de casa ou apartamento, o que é cada vez mais comum acontecer em cidades grandes.

O desenvolvimento da capacidade física como a força por exemplo, segundo HOHMANN (1997), acontece desde a fase intra-uterina, pois a criança irá ser estimulada caso a mãe tenha hábitos sadios e pratique alguma atividade física. Toda a movimentação da mãe irá estimular a criança que está dentro de sua barriga. Mesmo logo após o nascimento, se a criança vive deitada dentro do berço ou fica pendurada no colo da mãe, isto irá atuar decisivamente no seu desenvolvimento motor.

Analisando-se as fases do desenvolvimento motor, até os três meses de vida, ele ocorre de forma bastante lenta e todas as vivências da criança são provenientes dos órgãos dos sentidos; por esta razão, essa etapa é chamada de fase sensorial. Após a aquisição da apreensão motora objetiva da posição ereta e andar (4 a 12 meses), a criança amplia consideravelmente sua área  de exploração morotra até então limitada ao berço e quarto. A forma lúdica da ação motora deve ser bastante flexível, permitindo a incorporação de múltiplas habilidades. Através da imitação e representação (pai e mãe), além das formas lúdicas de brincar, forma-se o meio ambiente social da criança, fatores estes que irão interferir diretamente na aquisição de suas habilidades. Até os dois primeiros anos de vida os movimentos da criança se apresentam com pouca fluência ritmica, são fracos, lentos e restritos quanto ao domínio espacial; Ainda conservam uma característica desajeitada, pouca coordenação e se fazem acompanhar, muitas vezes de movimentos colaterias que demandam em maior desgaste de energia (sincinesias). Ao completar o terceiro ano de vida, os movimentos da criança apresentam significativos aumentos de força e velocidade (porém ainda pouca), maior capacidade espacial e ótima flexibilidade, RODRIGUES (1993).

Segundo este mesmo autor, a idade compreendida entre três e seis anos corresopnde a segunda infância ou idade pré-escolar, onde é importante que a criança freqüênte o Jardim de Infância para o convívio com outras crianças e às atividades variadas, de grande validade para o seu desenvolvimento como um todo. Nesta fase a prioridade é a atividade motora global, concentrando-se na necessidade fundamental de movimento, investigação e de expressão.

VAYER (1984) complementa: sensações, percepções e ações constituem um ciclo que se desenvolve, se enriquece e se organiza para constituir a personalidade; uma personalidade necessariamente original em relação aos outros.

É importante ressaltar que a criança não deve pular nenhuma etapa. Por exemplo, uma criança que do sentar logo passa a andar, sem engatinhar, deixa de desenvolver a força dos membros superiores e estabilizadores das escápulas, o que poderá levar a futuros problemas de ombro quando na fase adulta.

Este texto continua no Desenvolvimento Infantil – Insuficiência de Coordenação.

By Tatiana Matsuo

Fonte: Monografia de graduação (Desenvolvimento cognitivo através da Ginástica Educativa – FMU – 1997 por Tatiana Hiromi Matsuo)

Bibliografia

FERREIRA NETO, C. A. O desenvolvimento da criança e a necessidade de atividade motora. In: Motricidade e jogo na infância.  Sprint, Rio de Janeiro, 1995.

HOHMANN, Andreas. Efeitos do Treinamento de Resistência nos Esportes. Palestra, CIDAF – FMU, São Paulo, 1997.

PANTIGA, Jr. G. A Ginástica Olímpica na Fase Pré-Escolar (0 a 6 anos). SP Especialização, 1992.

RODRIGUES, M. Manual teórico- prático de Educação Física Infantil. Icone, São Paulo, 1993.

VAYER, P. O diálogo corporal: a ação educativa para a criança de dois a cinco anos. Manole, São Paulo, 1984.

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