Alimentos Orgânicos e Tradicionais

Modismos alimentares prometem mais saúde e costumam entrar e sair de moda, no ritmo das estações do ano. O chocolate, o café e a soja, são apenas três exemplos de alimentos que se alternam entre os papéis de herói e de vilão, nos cardápios. Hoje, os produtos orgânicos atraem cada vez mais consumidores e já alcançam um peso significativo no setor agrícola de muitos países.

 

O mercado mundial de orgânicos movimenta cerca de US$ 23,5 bilhões de dólares por ano, e há uma expectativa de crescimento da ordem de 20% ao ano. Neste mercado incluem-se produtos frescos, processados, industrializados e até artigos de cuidados pessoais, produzidos com matérias primas obtidas sob o sistema orgânico. O mercado varejista mundial de alimentos e bebidas orgânicas aumentou de US$ 10 bilhões de dólares para 17,5 bilhões, entre 1999 e 2000 (crescimento de 58% ao ano).

Os países que mais cresceram com essa comercialização nos dois últimos anos foram os do Reino Unido e dos EUA.

Apesar do mercado estar crescendo a taxas consideráveis (10 à 30% nos países de alta renda), ainda é pequena a fatia que os produtos orgânicos alcançam no total das vendas (1 a 3%).

Na América Latina, alguns países têm mercados domésticos internos de produtos orgânicos em expansão, ainda que grande parte da produção seja destinada à exportação. Esses mercados são abastecidos através de diversas formas, entre as quais se destacam as associações de produtores rurais que comercializam em supermercados.

No Brasil, desde 2000 o mercado de alimentos orgânicos cresce à razão de 50% ao ano. Na maior rede de supermercados brasileira, os orgânicos já representam 8% de todos os alimentos comercializados.

Os principais alimentos orgânicos produzidos no Brasil são representados pela soja (31% de toda a produção orgânica), seguida de hortaliças (27%) e café (25%).

A maior área plantada é com frutas (26%), depois cana (23%) e palmito (18%).

 

Afinal o que é um alimento orgânico?

O termo orgânico se refere à maneira como produtores cultivam e processam produtos agrícolas, tais como frutas, verduras, cereais, laticínios e carnes.

Trata-se de técnicas agrícolas que não utilizam adubos químicos ou agrotóxicos, provendo um sistema de cultivo que observa as leis da natureza e é baseado na preservação dos recursos naturais.

O solo é à base do trabalho orgânico. Vários resíduos são reintegrados ao solo: esterco, restos de verduras, folhas, aparas, etc, sendo devolvidos aos canteiros para que sejam decompostos e transformados em nutrientes para as plantas. As técnicas de produção orgânica são destinadas a incentivar a conservação do solo e da água e reduzir a poluição.

Para que a carne seja considerada orgânica, o gado não recebe medicamentos veterinários, à exceção das vacinas. Para combater doenças, os animais são tratados com remédios veterinários homeopáticos.

O frango orgânico não pode receber ração com hormônio de crescimento, prática corrente nas granjas convencionais para que as aves se desenvolvam mais rapidamente.

Outros produtos facilmente encontrados em versão orgânica são o mel, a soja, o café, o açúcar, o cacau e as castanhas. No caso do mel, o apiário deve estar localizado numa região em que as abelhas só consigam recolher néctar e pólen em flores de áreas livres de agrotóxicos ou lixões. O açúcar não passa pelo refino industrial e, por isso, não contém os aditivos químicos usados nesse processo. Para ser considerado orgânico, o produto precisa ganhar um selo de qualidade emitido por alguma das entidades que monitoram.

O selo de certificação de um alimento orgânico fornece ao consumidor um produto isento de contaminação química. Garantindo também que esse produto é resultado de uma agricultura capaz de assegurar qualidade do ambiente natural, qualidade nutricional e biológica de alimentos e qualidade de vida para quem vive no campo e nas cidades. Ou seja, o selo de ‘orgânico’ é o símbolo não apenas de produtos isolados, mas também de processos mais ecológicos de se plantar, cultivar e colher alimentos.

 

Mas, afinal, os alimentos orgânicos são mais saudáveis do que os convencionais?

Alguns autores afirmam que os alimentos orgânicos são nutricionalmente superiores aos convencionais. Porém, algumas evidências, contestam essa afirmação, não existindo consenso do ponto de vista científico. Os defensores da tese afirmam que o aumento dos nutrientes nos cultivos orgânicos seria obtido em função do uso de insumos diferenciados, compostos orgânicos, biofertilizantes, húmus de minhoca, dentre outros, excluindo-se adubos químicos e agrotóxicos, que são amplamente utilizados na agricultura convencional. Enquanto os primeiros apresentam uma gama variada de macro e micro-elementos em sua composição química, os adubos e fertilizantes sintéticos são restritos a alguns poucos elementos.

 

Estudos

Um estudo realizado por Smith (1993) (apud Souza, 2003), comparou os teores de macro, micro-minerais e metais pesado,de alguns alimentos. Na média geral para todos os produtos, os orgânicos revelaram maiores teores de minerais e menores teores de metais pesados.

Em um estudo realizado por Paulette, et al (2007), foi possível avaliar a existência de diferenças nutricionais significativas nas amostras analisadas, apontando uma superioridade nutricional nas hortaliças cultivadas organicamente, considerando a hipótese de que práticas de manejo e insumos mais enriquecidos estejam contribuindo para esta situação.

WEIBEL et. al. (1998), apud in Paulette, (2007) em estudo realizado na Suíça, compararam um tipo específico de maçãs e avaliaram parâmetros de qualidade física e química. Os resultados mostraram que para a maioria das variáveis analisadas houve similaridade entre os sistemas orgânico e convencional, sobretudo em relação à qualidade visual do produto. Entretanto, os autores destacam que as frutas orgânicas apresentaram significativamente valores mais favoráveis para alguns aspectos: 31,9% mais fósforo nas frutas frescas; 14,1% mais firmes (tempo de armazenamento 12% superior); 8,5% mais fibras; 18,6% mais compostos fenólicos (maior proteção natural ao organismo); 15,4% superior num teste de qualidade que avalia sabor e aroma, firmeza da polpa e casca; quantidade de suco e conteúdo de açúcar. Por outro lado, os autores não constataram diferenças significativas entre maçãs orgânicas e convencionais para os teores de vitaminas.

WILLIAMS, 2002 (apud in Darolt, 2003) comparou as composições de nutrientes produzidos organicamente. O que se observa, de forma geral, é uma tendência na redução do teor de nitratos e aumento no teor de vitamina C em alimentos produzidos organicamente. Para os demais nutrientes, os estudos ainda não são conclusivos.

 

 

Opinião

 

 

Percebe-se que os estudos relacionados aos teores de nutrientes (vitaminas, minerais, etc.) ainda são pouco conclusivos. Enquanto alguns mostram superioridade dos orgânicos, outros mostram que não existe diferença. Por outro lado, temos que destacar que, praticamente, não foram encontrados estudos que mostram que o alimento convencional é superior ao orgânico. O apelo dos alimentos orgânicos não é sobretudo psicológico!

 

 

Quanto aos agrotóxicos,  há evidência científica de que façam mal para a saúde quando ingeridos com os alimentos?

O consumo de alimentos com resíduos de agrotóxicos pode causar prejuízos à saúde humana que vão desde alergia temporária a doenças crônicas. Na lista de alterações provocadas pelos defensivos estão reações neurológicas, sobrecarga do fígado, problemas neurológicos, desenvolvimento de câncer e outras patologias.

Existem mais de 400 pesticidas permitidos para uso e bactérias diferentes que causam efeitos diversos para a saúde.

Relatório do Programa Nacional de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aponta contaminação de cerca de 40% do tomate, alface e morango consumidos pelos brasileiros. Outros seis alimentos que também foram analisados e registraram resíduos irregulares de defensivos agrícolas: banana (4,3%), batata (1,36%), cenoura (9,9%), laranja (6%), maça (2,9%) e mamão (17,2%).

Foram usadas na análise amostras de 16 estados de todas as regiões do país, além dos municípios de Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo.

Entre as substâncias encontradas nos alimentos estão ingredientes ativos de diversos tipos de agrotóxicos, como endossulfam, acefato e metamidofós, que, de acordo com a Anvisa, são conhecidos pela neurotoxidade, riscos de desregulação endócrina e toxicidade reprodutiva.

 

O que se pode fazer?

Em geral, não é possível notar a existência de resíduos irregulares de defensivos agrícolas pela aparência ou sabor dos alimentos.

A primeira dica é lavar os alimentos com bastante água corrente. Grande parte dos inseticidas que não são sistêmicos, são retirados nesse processo de lavagem!

A técnica correta de higienização é lavar os alimentos (frutas, folhas e legumes) com água limpa e corrente, depois deixar de molho na água com vinagre ou em solução hipoclorito o correspondente a 10 gotas da solução para um litro de água e em seguida lavar novamente em água limpa e corrente, os alimentos.

A dica também é valida para os produtos comercializados como produzidos sem uso de agroquímicos, com riscos menores de contaminação. Nem todos os produtos ditos orgânicos são certificados, é possível que o agricultor produza de maneira convencional e venda esse produto como se fosse orgânico, porque isso agrega valor.

 

Ponto de Vista

 

Tanto uma, como a outra alternativa de produção, são viáveis desde que esclarecidos os aspectos de que ambas devam primar por sistemas de garantia de qualidade do produto, atendendo normas semelhantes de segurança dos alimentos.

Não se deve deixar de mencionar, que a produção orgânica, via de regra, é mais cara e, portanto terá um preço maior no mercado consumidor. E cabe ao consumidor optar pelo produto da qualidade que deseja e do preço que está disposto a pagar. Todos desejam alimentos saudáveis e o Ministério da Agricultura procura através de suas normas, direcionar a produção  para a conformidade com o Codex Alimentarius; tudo isso, visando à segurança e qualidade dos alimentos produzidos industrialmente.

Portanto, além dos controles oficiais, outros programas independentes de segurança dos alimentos são conduzidos para garantir a segurança dos alimentos.

Entre esses, os de análise de perigos e pontos críticos de controle (APPCC), ISO´s, EurepGAP, boas práticas de fabricação (BPF) e (ou) boas práticas de produção (BPP), os quais continuarão a ser usados na cadeia produtiva industrial, com a auditoria de organizações certificadoras internacionais, acreditadas e (ou) pelo INMETRO/MAPA, com o objetivo de aplicação de procedimentos para a redução de riscos químicos, biológicos e físicos associados à segurança dos alimentos.
Ainda, para a segurança dos alimentos, com menor risco a saúde humana, são necessárias ações relativas à implementação de boas práticas (BP) de produção (sistemas recomendados de produção), BP nas fábricas de ração (atendimento de normas para a garantia da qualidade), BP no transporte, na análise de perigos e pontos críticos de controle na indústria de transformação e distribuição.

 

 

 


ERIKA ALVARENGA

Nutricinista

Especialista em Fisiologia do Exercício – USP

 

Acompanhamento Nutricional individual e familiar

Nutrihome – assessoria à domicílio

 

Consultoria de restarantes, escolas e clubes

Assessoria de empresas de alimentos, farmaceutica e corporativa

 

9224-3247

erikanutri@hotmail.com

 

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